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Ser naturista é mais uma filosofia de vida que uma prática social, embora conjugue as duas.
O naturista não defende um regresso utópico às origens, mas um posicionamento saudável no seu eco-sistema, a que nunca poderá ser alheio, por mais benesses que a tecnologia e a cibernética possam oferecer. É no equilíbrio dessa posição que reside a sua filosofia de vida e a sua atitude perante a natureza, o corpo e os outros, optando pela vivência do lado natural das coisas, ajudando a enquadra-la - e a enquadrar-nos - na moldura cada vez mais difícil de uma vida sintética, plástica e divorciada da terra que nos possui...
O naturista defende processos naturais, sempre que eles possam substituir-se aos artificiais. Está atento a fenómenos como naturopatia, yoga, alimentação natural, protecção do meio ambiente, exercício físico, enfim, aquilo que conduz a uma "mens sana in corpore sano".
Assistimos a um crescimento imparavel do naturismo na Europa, como fenómeno social, desportivo e cultural, já com décadas de história e organização, mas não temos promovido o suficiente as maravilhas naturais do país onde vivemos, para benefício daqueles que buscam um contacto saudável com a natureza.
O naturismo português tem surgido espontaneamente por iniciativa e prática individual dos que perfilham estes princípios, sem que haja um polo de referência razoavelmente organizado para mediar informações ou congregar pessoas com objectivos idênticos, salvo raras e pontuais excepções.
O nudismo, fortemente associado aos movimentos naturistas, é a aliança óbvia de uma prática que não encontra protecção ideológica em nenhuma outra doutrina instituída com a filosofia que lhe está mais perto. Porém, se virtualmente todos os nudistas são naturistas, nem todos os naturistas são nudistas. Razões culturais, perfeitamente legítimas, levam muita gente que defende uma vida baseada em princípios naturais a não se sentir confortável sem roupa. A estes, devemos a completa tolerância e respeito a que têm direito.
Sobre este assunto, resultaria interessante citar, em favor de quem não se despe, a máxima de Engels (1820-1895) que diz "a minha liberdade acaba onde começa a tua" e em favor de quem se despe, a frase de Miguel Angelo (1475-1564) "Que espírito será tão cego e vazio que não entenda que o pé humano é mais nobre que o sapato que o calça, e que a pele humana é mais bela que as vestes com que a cobrimos"...
A nossa essência de princípios é tão antiga quanto a própria espécie - somos entes biológicos de uma ecologia natural.
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