NATURISMO EM PORTUGAL NATURISMO EM PORTUGAL NATURISMO EM PORTUGAL NATURISMO EM PORTUGAL NATURISMO EM PORTUGAL NATURISMO EM PORTUGAL

PORTAL NATURISTA SOBRE OS PRAZERES DE ESTAR EM PORTUGAL

Que espírito será tão cego e vazio que não entenda que o pé humano é mais nobre que o sapato que o calça, e que a pele humana é mais bela que as vestes com que a cobrimos...

Miguel Angelo (1475-1564)

   DESTAQUE   

NUDISMO vs NATURISMO

Quando se fala em Naturismo, é habitual fazer-se imediatamente a associação com o Nudismo, como se os dois termos fossem sinónimos.

Não são.

Nudista é aquela pessoa que gosta de se despojar da roupa sempre que possível, de preferência quando em contacto directo com a Natureza.

O Naturista, por outro lado, vai mais longe e professa uma filosofia de vida que inclui atitudes naturais quanto ao seu relacionamento com o meio ambiente, hábitos de alimentação saudável, utilização de medicinas naturais, repúdio do consumo de produtos alterados quimicamente, recusa da ingestão de drogas, incluindo as que são legais, como o álcool e o tabaco, preocupações de protecção e respeito pelo meio ambiente, exercício físico e desporto, integração na natureza, respeito pela biodiversidade, enfim, tudo quanto conduz à meta ideal de possuir uma mente sã num corpo são.

O Naturismo é isso.

É, essencialmente, mais que um Estilo de Vida! É uma Filosofia de Vida.

É verdade que a maior parte dos Naturistas são Nudistas, mas isso deriva da sua atitude em relação à Natureza e à naturalidade intrínseca da nudez do corpo com que nasceram.

No entanto, nem todos o são.

O nudismo é uma consequência óbvia deste tipo de postura.

A roupa tem toda a legitimidade como enfeite (aliás com um estatuto quase cosmético derivado da moda e da vaidade) e tem toda a utilidade também como protecção contra o frio e as intempéries... mas é artificial, não nascemos com ela - nascemos, sim, com a pele que nos cobre, com a nossa nudez e a naturalidade normal do aspecto que temos.

Permitir ao corpo um contacto com a natureza de que fazemos parte é mais que natural, para além de benéfico para a saúde. Só só quem já experimentou correr nu pelos campos ou mergulhar sem roupa sabe o fascínio e o prazer que isso proporciona.

No entanto, nem todos os nudistas são naturistas, nem todos os naturistas são nudistas.

Do mesmo modo que existem Naturistas que não se sentem à vontade com a nudez, por razões culturais, dogmas religiosos, conceitos de estética, etc… que são perfeitamente legítimos e merecem respeito, também há nudistas que não nutrem qualquer respeito pelo Natureza, de que são tão vasto exemplo aqueles que todos os anos frequentam praias públicas e por lá deixam os seus restos de “civilização”, incluindo plásticos que demoram séculos a decompor-se e contribuem para a lenta degradação do nosso ecosistema.

Os Naturistas são activos opositores destes tipos de comportamento e, quando paralelamente defendem o seu direito à nudez, fazem-no com a mesma naturalidade com que louvam a pureza de uma água de nascente.

Os Naturistas repudiam atitudes de exibicionismo ligadas à nudez pública, particularmente quando são projectadas em sociedade com conotações sexuais de provocação, que constituem um comportamento tão condenável como o seria se os seus autores estivessem vestidos, e que não se verifica entre tantos povos que por esse mundo fora vivem nus, sem que daí derivem atitudes descontextualizadas.

Há, portanto, que saber diferenciar a mentalidade pervertida daqueles que se dizem naturistas sem o serem, com o exercício dos direitos à mais intrínseca essência com que o ser humano nasceu e constitui o templo da sua vida.

Cabe, também, ao legislador, da mesma forma que reprime a criminalidade e os comportamentos desviantes, garantir o direito a uma vida saudável, baseada em princípios naturais, àqueles que professam esses hábitos, essa vontade e essa consciência: os Naturistas.

PORTUGAL

Vivemos num país maravilhoso, com riquezas naturais bem preservadas, parques e reservas de grande beleza, 40% da área nacional é arborizada, 38% agrícola e só menos de 20% é ocupado pelo betão urbano da civilização.

1.793 quilómetros de litoral marítimo fazem deste jardim à beira-mar plantado isso mesmo: um jardim! Temos centenas de praias, de todos os tipos que existem, desde extensões de areia branca a perder de vista, até recantos enquadrados em falésias e escarpas de uma beleza selvagem. A fauna e a flora são de uma variedade inesgotável, incluindo plantas tropicais e espécies únicas no mundo.

Vendemos turismo como fonte de riqueza, porque temos atracções que encantam pessoas de todos os cantos do planeta. Temos o melhor clima da Europa.

Alguns dos nomes mais sonantes do empresariado turístico internacional têm aconselhado Portugal a investir no turismo de alta qualidade, conselho que está a ser seguido. Temos, pois, desde turismo de luxo ao mais agradável e rústico turismo rural.

Só existe um tipo de turismo que Portugal quase não tem, quase não oferece: o naturista.

NA-TURISMO

Para além do reconhecimento social de um direito a quem o pretende, está aí à porta um enorme potencial que pode fazer uma diferença significativa na economia do país: o Turismo Naturista.

OPORTUNIDADES PERDIDAS

Portugal perdeu no passado algumas oportunidades preciosas, como quando a Fuji, em momento de vitória de mercado sobe a Kodak, projectou a instalação de uma linha de montagem para a Europa no norte do país e o governo de então não conseguiu negociar a bom termo, deixando os lucros que daí adiviriam, bem como os dois mil postos de trabalho iniciais, fugir para o estrangeiro.

O PARAÍSO JUGOSLAVO

No entanto, talvez que a nossa maior oportunidade perdida se situe precisamente no campo em que queremos dar cartas na Europa: o turismo, o clima, a natureza.

Isso sucedeu há menos de 20 anos, com o desmembramento da Jugoslávia que era, então, o paraíso naturista da Europa.

Já nessa altura havia tradição antiga da prática nudista em praias portuguesas: no Malhão há 50 anos, no Meco há 40, para citar apenas dois exemplos.

O fim da Jugoslávia como destino naturista deixou em aberto uma janela de oportunidade que Portugal não viu mas foi bem aproveitada pela França e pela vizinha Espanha, onde existem mais de 400 praias naturistas e centenas de estabelecimentos turísticos, incluindo parques de campismo, hotéis e aldeamentos.

Em 2008, nuestros hermanos serviram mais de três milhões de turistas naturistas.

Em Portugal, existem seis praias oficiais, um Parque de Campismo no Alentejo, cerca de vinte camas de oferta em turismo rural… e mais nada. Não há nenhum aldeamento, hotel, clube de saúde, ginásio ou praia fluvial…

Mas este estado de coisas vai mudar, essa é a boa notícia. Antes disso, porém, analisemos os números, para avaliar o potencial em presença.

OS NÚMEROS

Só na Europa, existem 20 milhões de naturistas, dos quais 12 milhões compram, anualmente, turismo naturista.

A procura dos Estados Unidos excede 40 milhões. Acrescente-se-lhes, modestamente, outros 20 milhões do resto do mundo, incluindo Brasil, Canadá, Austrália, Japão, etc, e estamos perante um universo de mais de 80 milhões de potenciais “clientes” do país.

Portugal é um dos 15 destinos mais procurados do mundo. Com uma população de 10 milhões de habitantes, recebemos 12 milhões de turistas em 2006. Temos o melhor clima da Europa, espaços naturais maravilhosos e uma gastronomia famosa. O Algarve reclama-se de “326 dias de sol por ano”.

Temos tudo para responder aos anseios de férias de quem gosta de natureza, incluindo também experiência em hotelaria de qualidade.

Se acrescentarmos ao turismo que já recebemos o enorme potencial de venda de turismo naturista, um sector em que a procura é extraordinária, a inclusão de uma oferta nacional neste âmbito fará decerto uma diferença substancial na nossa balança económica.

O único investimento que existe em Portugal nesta área, tanto em termos de campismo como de turismo rural, é exclusivamente estrangeiro.

De que estamos, então, à espera?...

PROCURA: IMENSA

OFERTA: ZERO

Até hoje, a expressão “dolce fare niente” tem-se provado mais lusa que italiana...

Continuamos sem um único Hotel naturista, nem sequer um Clube de Saúde, um Spa ou uma Piscina... muito menos um aldeamento como milhares que existem pelo mundo fora, desde o Brasil ao Canadá, desde a Austrália à Europa - nunca nenhum fechou as portas por falta de negócio.

Voltamos, portanto, à pergunta: "De que estamos à espera?"

A BOA NOVA

… simplesmente, do aparecimento de portugueses que vejam este potencial e decidam entrar no mercado.

Pois bem, isso já sucedeu.

Se a lei souber agora adequar-se às necessidades, tanto da prática social como do desenvolvimento de iniciativas ligadas ao turismo naturista, existe já investimento preparado, português, nacional, com projectos feitos e prontos a arrancar em menos de um ano, para colmatar esta grave lacuna da nossa adequação enquanto país ao evoluir das sociedades e do mercado global.

A procura existe. Imensa, rica, crescente. A oferta está pronta. Mais precisamente 15 milhões de euros de investimento, perto de 150 postos de trabalho, duas zonas do país abrangidas, oferta de turismo de qualidade àqueles de 80 milhões de potenciais clientes que queiram juntar as suas preferências de férias aos encantos de Portugal.

O FUTURO

Os portugueses, onde mais de cem mil naturistas ainda são muitas vezes “nudistas à escondidas”, com pouco mais de dez mil faces visíveis, mostraram já que são um povo tolerante com uma prática ancestral de hábitos de nudez social, pacífica, familiar, saudável.

Falta-lhes a aceitação social que a lei pode ajudar a consensualizar. Como pode ajudar, noutra área, a criar uma mais valia económica que ajude o país a superar as sucessivas crises por que tem passado.

Está agora nas mãos dos legisladores. Esperemos que tudo corra bem, para benefício da saúde do país, potenciada pela filosofia naturista que promove os princípios que conduzem a “uma mente sã num corpo são”.

  15 MILHÕES PARA TURISMO NATURISTA

  INVESTIMENTO EXCLUSIVAMENTE NACIONAL

  VAI CRIAR 170 NOVOS POSTOS DE TRABALHO

  DUAS ÁREAS DO PAÍS CONTEMPLADAS

  PROJECTO INOVADOR DE EXCELÊNCIA

Finalmente, os portugueses acordaram para uma realidade que se vem impondo há décadas e não tem despertado o interesse dos investidores nacionais: o TURISMO NATURISTA.

PROJECTO "EDNATURA"

Surgiu agora em Portugal uma iniciativa privada que vai investir 15 milhões de euros em projectos de infra-estruturas e serviços para naturistas, a chegar ao público na Primavera de 2011, assim se espera.

O Projecto chama-se "EdNatura" e prevê a construção de dois empreendimentos turísticos, um na Região Oeste, o outro na faixa algarvia da Costa Vicentina.

Tudo teve início em 2007 e tem vindo a ser trabalhado por um empresário português, com grande visão inovadora mas um pefil discreto que não pretende ser exposto, para já, às luzes de ribalta da comunicação social (o que promete fazer quando inaugurar o primeiro empreendimento), mas que tem desenvolvido planos concretos de planeamento, organização e, sobretudo, relações para a viabilização dos seus intentos, tanto com o poder autárquico das zonas em questão como com o Turismo de Portugal.

Foi dada a garantia às autoridades competentes de que a totalidade do investimento seria assumida pela entidade promotora. "Não quero ser subsídio-dependente." - disse-me o empresário - "Acho que Portugal vive demasiado de subsídios e eu não quero pertencer a esse grupo."

A posição do investidor é de que neste momento "nomes não existem".

Trata-se de uma fonte fidedigna, mas que só pretende vir a público quando tudo se revelar possível. "Só queremos vir a público quando estivemos prontos para avançar com as obras. Uma vez viabilizado o projecto e as infa-estruturas, em 25 dias construimos cada um dos empreendmentos, na sua totalidade."

Isto deve-se também, explicou-me, a evitar a especulação. Uma notícia das suas intenções saida no Correio da Manhã e que foi apenas um "levantar do véu" quanto ao que se avizinhava, numa ocasião em que estava a negociar um primeiro terreno na Costa Oeste, fez o proprietário subir o preço para o dobro de um dia para o outro.

Outro terreno já foi entreanto adqirido para o efeito e o local do primeiro empreendimento está definido.

                        NAZARÉ, COSTA OESTE

A ideia inicial apontava para perto da Praia do Salgado, mas a Câmara da Nazaré revelou que existia um problema de natureza geológica que custava 1,7 milhões de euros a resolver, pelo que se apontou para outro local.

Vai, portanto, nascer junto à praia, entre a Nazaré e S. Pedro de Moel, com uma área de 70.000 m2.

O projecto consiste num aldeamento turístico inteiramente ajardinado, composto por 60 vivendas em pré-fabricado, T1, T2 e T3, completamente independentes.

Será um condomínio fechado, com Supermercado, piscina, restaurane, salão de jogos, bar salão de estética,lavandaria, clube de saúde, sauna, banho turco, jacuzzi, campo de ténis e um campo desportivo polivalente, para basquete, futebol, etc, com marcações adequadas às modalidades.

Vai ter duas piscinas exteriores de água salgada e uma zona de segurança que conduz à praia, contígua ao empreendimento.

Cada vivenda tem o seu próprio local de estacionamento e um jardim privado.

Pronto para avançar, o projecto é já do conhecimento do presidente da autarquia local, com quem tudo tem sido devidamente coordenado.

A abertura está prevista para a Primavera (Abril-Maio) de 2011.

                        ALGARVE, COSTA VICENTINA

O nascer do projecto apontava para dois empreendimentos na margem sul, um na zona do Meco, outro na costa vicentina. Surgiu, porém, a possibilidade de obter um terreno maior mais a sul e optou-se pela solução de, ao invés de construir dois aldeamentos semelhantes ao da Nazaré, fazer apenas um, mas de grandes dimensões.

Vai situar-se já no Algarve, mas na Costa Vicentina, perto do Alentejo.

O condomíno terá uma área total de 400.000 m2 e está projectado com as mesmas características e infra-estruturas do da Nazaré, mas com um mínimo de 120 vivendas.

Tal como o primeiro, terá um acesso direto à praia.

O prazo de inaguação está previsto para um ano depois do primeiro, na Primavera de 2012.

TIPO DE TURISMO

A exploração turística de ambos os empreendimentos será feita como é normal em todos os aldeamentos do tipo, por aluguer das casas pelo tempo pretendido, com acesso a todas as facilidades do condomínio.

Não vai ter espaço para campismo ou caravanismo, será exclusivamente para ocupação das vivendas.

Em ambos os casos, 30 a 50% das unidades de habitação serão colocadas no mercado e vendidas a proprietários privados, que as poderão ceder, para além dos seus próprios tempos de férias, paraaluguer a turistas, processo gerido pelo empreendimento.

Será mantida a privacidade quanto às identidades dos proprietários e estima-se que o custo médio de um T2 ronde os 70/80 mil euros.

Neste momento estão já quatro vivendas reservadas por compradores interessados, no complexo da Nazaré.

IMPLICAÇÕES SOCIAIS

Não estão feitos cálculos de rendibilidade dos projectos, dado que, face à imensa procura que este tipo de serviço tem nos mercados, principalmente no internacional, seja qual for o resultado que venha a apurar-se será sempre uma agradável surpresa.

Entre os dois projectos, vão ser criados até 170 novos postos de trabalho, com alguma contratação sazonal mas com quadros permanentes ao serviço da gestão dos aldeamentos, 12 meses por ano.

Prevê-se a existência de trabalho temporário na época alta para cerca de 35 empregados na Nazaré e 50 no Algarve, como reforço dos quadros permanentes de 35 funcionários no primeiro caso e 50 no segundo, que ali trabalharão a tempo inteiro.

PROJECTOS FUTUROS

Sem prejuízo de eventuais desenvolvimentos que venham a ser decididos, tanto nas infra-estruturas iniciais como na construção de outras, existe desde já a ideia de alargar esta oferta ao interior do país, nomeadamente a zonas com praias fluviais ou barragens.

Fomos informados de que existe já uma autarquia "com uma barragem e um rio de água pura, que permite um turismo de qualidade no verão, para naturistas" interessada em receber esta iniciativa que, no caso, irá apontar para pequenos empreendimentos, com 5 a 8 vivendas, tipo turismo rural.

No entanto, segundo declaração do próprio investidor, "só depois das duas primeiras medalhas de ouro" - assim chamou aos projectos da Nazaré e do Algarve.

Prometeu manter-me informado com notícias "em primeira mão", que perante ele e aqui me comprometo a divulgar em tempo real, à medida que forem sendo conhecidas.

O QUE EXISTE AGORA

Para já, portanto - e até que os novos projectos se tornem realidade - quando os portugueses querem passar férias num empreendimento naturista, mesmo os de parcos recursos que buscam férias baratas... vão para Espanha!

LOGO AQUI AO LADO...

Para os portugueses que querem férias naturistas no conforto de um empreendimento turístico, esta é a solução mais próxima:

Chama-se “Costa Natura” e fica no litoral sul de Espanha, antes de Málaga.

Muitos portugueses ali vão todos os anos.

É um aldeamento com piscina, sauna, jacuzzi, praia privativa, campos de jogos, restaurante e vários bares, espaços para crianças, supermercado, em apartamentos e pequenas vivendas por entre jardins de rara beleza.

     

     

Tudo isto a preços que competem com os nossos.

Mas este é apenas um exemplo: na costa espanhola pululam aldeamentos, hotéis, praias e respostas para o turismo naturista que nos levam anos de vantagem, como são o caso de Vera Playa, Almanat e tantos outros destinos a que os portugueses, por falta de oferta local, se vão habituando, para proveito de nuestros hermanos

NUM PAÍS DE CEGOS...

Não é preciso ter grande visão para ser rei num país de cegos... basta ter um olho, assim diz o ditado.

Os espanhóis mostraram bem que de ceguinhos não têm nada! São já muitos milhões de euros que o Turismo Naturista todos os anos acrescenta aos cofres do país.

Em Portugal, do pouco que existe, entre campismo e turismo rural, a iniciativa tem sido TODA estrangeira.

Quem deu o pontapé de saída foram Jikke Wilschut e Siets Bijker, um casal holandês que quis construir um Parque de Campismo na aldeia de Andorinha, em Oliveira do Hospital e viu o projecto, apesar de recomendado pelo executivo camarário e pela Junta de Turismo local, ser reprovado na Assembleia Municipal. Meses depois, porém, a população e os munícipes perceberam o que estavam a negar à região e mudaram de parecer. Foi assim que nasceu a “Quinta das Oliveiras”, em 2002, um parque naturista de 3,5 hectares, junto à Serra da Estrela, a 350 metros de altitude, com piscina e serviços de apoio a campistas. No entanto, por razões várias, foi sol de pouca dura: os proprietários desistiram da iniciativa em Setembro de 2009 e o parque foi encerrado ao público em geral.

QUINTA DOS CARRIÇOS

Outro Parque de Campismo, este no Algarve, não destinado a Naturistas e também nas
mãos de estrangeiros, decidiu tornar-se "misto" e abrir uma zona Naturista.

Inicialmente com facilidades para a instalação de tendas e caravanas, foi-se desenvolvendo com a construção de novos balneários, até que os donos perceberam o potencial e procuraram dar resposta à principal queixa dos frequentadores: a de que tinham que se vestir para frequentar a piscina ou ir às zonas de serviço do Camping.

Tentaram, então, licenciar a construção de uma Piscina para a área Naturista... mas depararam-se com entraves burocráticos ligados ao facto de se tratar de uma reserva natural em área protegida... e a licença foi recusada.

QUINTA DA HORTA

David Fry sonhava dar a volta ao mundo. Para tanto, comprou um barco, preparou-o e zarpou do sul de Inglaterra, para os sete mares...

...chegou até Portimão... apaixonou-se por Portugal... e ficou!

Ainda cá vive, com a sua Frances e ambos, dos filhos que falam português como Camões, já começaram a ter netos portugueses.

Em Ferragudo, David comprou uma propriedade de 3 hectares e chamou-lhe Quinta da Horta. Artista e pintor, começou por ter ali sedeada uma Escola de Arte e montou depois um negócio de turismo rural.

A piscina viu muitos hóspedes e amigos tirarem a roupa para um banho relaxante e pouco depois já David anunciava que ali “a roupa era opcional”, o que se tornou um hábito que nunca mais ninguém abandonou.

A expressão depressa se estendeu a toda a quinta e transformou o lugar num recanto de turismo naturista, íntimo, acolhedor, de grande e cuidada beleza, com hortas e pomares por entre os pequenos apartamentos e laguinhos com peixes e rãs, sauna, massagem, piscina aquecida, um self-catering aberto 24 horas por dia, flores por todos os lados e um ambiente familiar que quem lá esteve não esquecerá jamais.

         

         

Recentemente, David Fry criou uma nova aventura, aquilo a que chama uma “reserva natural naturista”, 50 hectares de terreno selvagem com uma fauna luxuriante e, para tentar os visitantes a explorar tudo, cavalos, aulas de equitação e passeios em “charrette”, para além da observação de aves e de uma fauna pouco perturbada.

MONTE NATURISTA “O BARÃO”

É o primeiro grande empreendimento exclusivamente naturista em território nacional.

Outro casal de holandeses, muito jovens, Jeff e Laura, perderam-se de encantos pelo país.

Deixaram a vida que tinham na Holanda, mudaram-se para cá e trabalham há anos para montar um Parque de Campismo, já aberto desde 2005 no litoral alentejano, perto de Santiago do Cacém.

São 7 hectares de território virgem, onde pode acampar-se, alugar um bungalow ou uma caravana e ouvir o silêncio da noite sob milhares de estrelas.

       

As relações do parque com a autarquia de Santiago do Cacém são excelentes e os planos de crescimento estão em curso frenético, que tudo indica que não vai parar nunca. As estruturas incluem duas piscinas, uma sala de convívio, bar e esplanada, muitos alvéolos grandes, com sol, sombra e electricidade, campos de jogos e diversões, tudo isto a meia hora de duas praias naturistas no litoral alentejano. Existem já mesmo bungalows para os que gostam de maior conforto e os planos de novas estruturas não parecem ter um fim à vista. A clientela é maioritariamente portuguesa e holandesa.

Para os amantes de sol à beira-mar, aconselho a Praia do Monte Velho, a alguns quilómetros, um extenso areal onde a prática do nudismo é corrente há vários anos e as ondas permitem banhos tranquilos para toda a família. O Jeff e a Laura saberão dar todas as indicações necessárias para lá chegar, bem como a outros locais de grande beleza que o Alentejo tem ali por perto e farão da permanência no Monte Naturista Barão uns dias variados e muito agradáveis.

       

Em contínuo desenvolvimento como o maior camping naturista em Portugal, o Monte Barão vai crescendo com regularidade em serviços e comodidades, numa luta feita a pulso pelo casal... e a Laura já há muito que fala português tão bem como qualquer filho da terra.

NATUREST

Mais um exemplo de iniciativa estrangeira, implantado no coração do Alentejo pela mão de um casal inglês, Ray e Marnie.

Sempre sonharam ter um pequeno negócio de turismo rural naturista e o Ray, que conhece Portugal desde os anos 70, chegou mesmo a visitar locais na Croácia, França e Espanha, acabando por decidir que Portugal e o Alentejo eram o seu destino preferido.

Ali estão há cinco anos, com uma pequena quinta situada, como costuma dizer-se, "no meio de nada".

Fica na zona de Odemira, mas longe de tudo e de todos. Poucos vizinhos à volta, dispersos por montes próximos, não anulam a sensação de isolamento e tranquilidade que ali se vive.

A povoação mais próxima é Luzianes, uma aldeia minúscula onde todos conhecem todos e a estrangeiro é tratado como se sempre ali tivesse vivido (pois é, o Alentejo é mesmo assim).

A Naturest oferece alojamento e pequeno almoço em dois quartos duplos com casa de banho e uso da cozinha.

Uma piscina rodeada de natureza por todos os lados oferece momentos de lazer quando o calor aperta.

A propriedade estende-se por recantos de mato, árvores, arbustos e até um riacho, por onde é muito agradável passear.

 

Junto à casa, um pátio moderno oferece um forte incentivo a todas as preguiças.

   

O isolamento do local percebe-se bem quando se fica a saber que nenhuma rede de telemóvel ali funciona (existe um telefone fixo, para qualquer emergência, bem como ligação à internet). O que não existe é "EDP", de todo! A quinta tem o seu próprio sistema autónomo de painéis solares, que fornecem toda a energia necessária.

De lá, guardo uma recordação curiosa, uma pequena história que não resisto a contar: numa noite em que lá ficamos, entendemos que era necessário "por em dia o expediente", ou seja, verificar mensagens recebidas, fazer os telefonemas oportunos, etc... por outras palavras, usar os telemóveis. Como ali não funcionam, ensinaram-nos que deveríamos subir a um monte perto, no alto do qual se conseguia linha. Lá fomos e ficámos a saber que esse alto do monte era conhecido, compreensivelmente, como "a cabine telefónica" - o único sítio onde as telecomunicações da civilização conseguiam chegar.

"Pusemos a escrita em dia", é verdade, mas quase nos esquecemos que tínhamos ido ali para isso: um cenário deslumbrante rodeava-nos, na "cabine telefónica", num arrebatamento de ficarmos envolvidos por um ambiente que a maior parte de nós nunca viu ou já esqueceu! No céu, milhões de estrelas cortadas pela Via Láctea, um espectáculo feérico de luz na noite alentejana, envoltos pelo silêncio só pontilhado pelos insectos e pequenos animais que não sabem o que é o homem e nunca se calam.

Quando nos calávamos, ouvíamos o silêncio - um silêncio que não sabíamos existir! Foi uma experiência surpreendente, inesperada, que nos arrebatou e nunca será esquecida.

Se forem à Naturest, perguntem onde é a "cabine telefónica" e vão lá, nem que não precisem! Vale a pena!

(Álvaro Campos, um naturista algarvio de que falarei mais adiante, foi o nosso guia nesse passeio e são dele os "direitos de autor" quanto à classificação do local como "a cabine telefónica")

QUINTA DA VISTA

Empreendimento de turismo rural naturista na área de Silves, dirigido por um casal, Bruce e Eva.

Está aberto desde 2002 e consta de uma antiga casa de campo tradicional algarvia, completamente restaurada, com piscina, pátio, jardins, pomares, bar, sauna, churrasco e campo de jogos.

Tem vista para o mar e para a serra, cuja beleza deu o nome ao estabelecimento.

A LEI

O Naturismo está regulamentado há 16 anos, pelo Decreto-Lei 29/94 que o define como “o conjunto das práticas de vida ao ar livre em que é utilizado o nudismo como forma de desenvolvimento da saúde física e mental dos cidadãos, através da sua plena integração na natureza” e prevê a criação de espaços destinados à prática do nudismo, que define como “praias, campos, piscinas e unidades hoteleiras e similares”.

A criação desta lei deve-se ao esforço de Pedro Geraldes Cardoso, pioneiro do associativismo naturista em Portugal.

Precisava já, porém, de urgente revisão, em vários pontos que os tempos desadequaram, como por exemplo a previsão de apenas uma praia naturista por conselho, que difere gritantemente da realidade e dos hábitos em certas zonas do país, bem como da definição de distâncias aceitáveis aos mais próximos aglomerados populacionais.

Foi por isso que vários esforços conjugados conduziram a um novo Projecto de Lei Naturista, levado à Assembleia da República pelo grupo parlamentar de “Os Verdes”.

AS PRAIAS... E AS PRAIAS

A oficialização de seis praias como “naturistas” resume quase a totalidade do esforço de iniciativa nacional feito até hoje no país para o desenvolvimento do Naturismo.

São a Bela Vista e o Meco no distrito de Setúbal, a Praia do Salto perto de Porto Covo, Adegas em Odeceixe e os Alteirinhos, na costa ocidental algarvia e a Praia do Barril, na Ilha de Tavira, a mais meridional das seis.

Estes são os “espaços oficiais”. Porém, há cerca de 80 outras praias em Portugal em que o nudismo é hábito.

São as chamadas “praias toleradas”, expressão que, pessoalmente, me incomoda por inverter o ónus da legitimidade em relação ao uso de uma coisa artificial: a roupa.

Se continuarmos a considerar-nos como naturais habitantes deste planeta e a Natureza como mãe e fiel do que somos, então as praias "texteis" deverão, com plena propriedade, ser consideradas, elas sim, "toleradas", por serem um espaço onde se pode fazer o que não é natural nem parte da Natureza!... ...digo eu...

Tanto o nosso povo como a lei, incluindo as próprias autoridades, são muito liberais e mostram grande tolerância relativamente ao fenómeno do nudismo, pelo que é comum ver-se uma saudável convivência entre nudistas e “têxteis” - expressão que os naturistas utilizam para classificar quem não se desapega da roupa.

DESPORTO

O Naturismo é consensualmente entendido como uma forma de desporto, dado que implica actividade física em contacto com a natureza. Não é competitivo, mas não tem que o ser.

Num documento da Universidade do Minho, datado de 2002, o Desporto é definido como “qualquer tipo de exercício humano, objectivando a recreação física, bem estar, qualidade de vida e saúde activa. É particularmente propício a estabelecer interligações com outros sectores de actividade, como o Lazer e a Recreação, a Cultura e a Educação, a Saúde e o Turismo.” A própria Carta Europeia do Desporto não prevê a obrigatoriedade de competição. Esta caracterização define, indiscutivelmente, o naturismo como uma forma de desporto...

... e como tudo o mais que o desporto proporciona, o naturismo propõe alternativas a actividades socialmente menos desejáveis, ou menos naturais, o que o torna principalmente útil junto da juventude à procura de ocupação e entretenimento.

O ALGARVE

Destino turístico por excelência para férias ao ar livre, o Algarve está bem consciente do fenómeno naturista.

São as próprias autarquias que apoiam iniciativas e se mostram sensíveis à importância do turismo naturista.

Para isso tem contribuído uma incessante e bem organizada actividade de uma associação local, o Clube Naturista do Algarve (CNA), cujos dirigentes cedo perceberam que é no envolvimento do poder político e dos demais organismos que gerem a sociedade, como Regiões de Turismo, que está o primeiro apoio útil a congregar para o movimento.

Álvaro Campos e Maria Paiva, que dirigem o Clube, explicaram-me o percurso que têm vindo a trilhar e tem como última iniciativa o pedido de oficialização de mais uma praia naturista no Algarve.

Ficou visível, desse encontro, a importância que o CNA atribui à comunicação social, com quem mantém uma relação permanente, sendo objecto de um retorno na imprensa, na rádio e na televisão que é único em Portugal.

Um trabalho bem feito.

Como movimento associativo, o Clube tem conseguido uma notória visibilidade na promoção e dignificação do fenómeno naturista junto da sociedade e por isso merece o apoio dos dirigentes políticos de todo o Algarve, que os consideram interlocutores válidos e prestam todo o apoio que os seus próprios meios permitem.

O CNA é também um bom exemplo da consciência do naturismo como prática desportiva: organiza regularmente actividades de desporto não competitivo, como corridas de praia, caminhadas, etc.

Até, se olharmos para esta vertente desportiva por um outro ângulo de premente actualidade, recordamos uma determinação do Comité Olímpico Internacional, já velha de mais de dez anos, de que toda a instituição desportiva deverá ter um mínimo de 10% de mulheres nos seus corpos directivos – o CNA tem 40%: duas mulheres numa Direcção de cinco elementos... e este é um princípio que a sociedade cada vez respeita mais, em todos os sectores humanos de actividade... afinal já lá vai um século desde que as mulheres nem votar podiam!

O ESTADO E AS PESSOAS

Exceptuando as iniciativas que levaram à existência e actualização de uma Lei Naturista, o estado português não se envolveu significativamente em nenhuma instância ligada ao movimento, no sentido de lhe dar a atenção que o resto da Europa entendeu já como valia nacional e social. Também nisto estamos atrasados, como é lusa tradição.

O pouco esforço desenvolvido a favor do naturismo, em termos institucionais, resumiu-se às iniciativas que levaram à legalização de seis praias - para avaliar o que isto significa basta lembrar que em Espanha são mais de quatrocentas!

Os Partidos Políticos, por sua vez, não têm tomado iniciativas ligadas a este fenómeno, com excepção do Partido Ecologista "Os Verdes", que foi a única força partidária até hoje a levar a discussão ao Parlamento, primeiro para aprovação da Lei 29/94, depois em 2010 para apresentação do projecto destinado a actualizá-la e adequar os seus princípios à realidade presente.


De ressalvar a primeira vez que o Naturismo foi levado à atenção da Assembleia da República, o que aconteceu pela voz do então jovem deputado socialista José Sócrates, que viria a ser Primeiro Ministro de Portugal.

Isto sucedeu em 19 de Abril de 1988.

Uma certa resistência ao naturismo e particularmente ao nudismo, que então existia ainda um pouco na sociedade portuguesa, tem vindo a desaparecer gradualmente, substituída por uma atitude generalizada de tolerância, que foi bastante visível na votação do projecto-lei dos "Verdes" em Abril de 2010, aprovado com votos favoráveis de todas as forças parlamentares, apenas com a abstenção do CDS/PP.

Pelo seu lado, o sector empresarial tem sido, até agora, completamente passivo quanto ao aproveitamento das oportunidades oferecidas pelo Naturismo. Por muito que esta área turística, como negócio, floresça pela Europa, com a Espanha como um exemplo de grande significado, os investidores portugueses só agora começam a descobrir o seu potencial...

OS INTERVENIENTES

Existem em Portugal seis Associações ligadas ao Naturismo.

A Federação Portuguesa de Naturismo (FPN) existe desde 1977 e teve como o mais carismático dos seus líderes a figura muito respeitada de Pedro Geraldes Cardoso, activamente envolvido no processo que conduziu à aprovação da Lei 29/94.

Presentemente é dirigida por Rui Martins, um naturista que gostaria de ver Portugal mais alinhado com as posições da maior parte da Europa em relação a esta filosofia de vida, no sentido em que noutros países não se tem achado necessário legislar em relação ao Naturismo, aceitando-o implicitamente como um direito dos seus cidadãos, o que é visível em vários países europeus, onde uma praia ou um empreendimento turístico não têm que ser oficialmente classificados como "naturistas" para neles se poder praticar o nudismo social.

O Clube Naturista do Algarve existe desde 2003, é presidido por Álvaro Campos e tem tido grande dinâmica em prol do Naturismo, com particular ênfase numa coordenação muito bem conseguida com o poder político e as autoridades ligadas ao Turismo. Está presente na maior parte dos eventos ligados a Turismo no Algarve. Uma das dirigentes, Maria Paiva, é uma mulher com visão e iniciativa, a quem o Naturismo português deve muito.

Foi ela que desenvolveu a maior partes dos esforços que conduziram à apresentação do novo projecto-lei no Parlamento em Abril de 2010, depois de dezenas de viagens, telefonemas, reuniões e iniciativas, a que na fase de conclusão se juntaram os esforços de outros intervenientes, incluindo Rui Martins e eu próprio, que a convite do CNN, na pessoa de Teófilo Relvas, reuni com "Os Verdes" para uma útil sessão de trabalho. A proposta de reformulação da Lei, mais uma vez assinada por Pedro Geraldes Cardoso, beneficiou do contributo de todos estes peões até chegar ao plenário e à discussão política.

O Clube Naturista do Centro está há muitos anos ligado à FPN e tem Rui Fidalgo como Presidente. Rui é um elucidativo exemplo do naturista que não é apenas nudista, uma vez que só enveredou por esse caminho a partir dos 30 anos, mas vive segundo os mais rigorosos princípios de uma vida sã e natural: não fuma, não bebe, é vegetariano e pratica desporto regularmente. Muito participativo, está em todos os eventos que vão acontecendo ao longo do ano um pouco por todo o país. É o mais jovem dos dirigentes associativos do Naturismo português.

A Associação Naturista de Portugal traz-me recordações que eu próprio guardo, uma vez que fui seu fundador, a pedido de Jorge Humberto (autor do logotipo) e Carlos Viegas, em 1997. Redigi os Estatutos e a Carta de Princípios, bem como a sua Declaração de Intenções, que ainda hoje abre a página na internet e procedi, com um grupo de outros naturistas, ao seu registo oficial. Tudo tendo partido de um pedido de ajuda, que dei com gosto, foi com alguma surpresa que me vi eleito seu Presidente na primeira Assembleia... comuniquei que aceitaria, mas apenas por seis meses, para auxiliar na divulgação inicial - e assim foi, com bastante êxito e grande cooperação por parte da comunicação social.

A mais setentrional das associações naturistas portuguesas é o Clube Naturistas do Norte, fundado em 2007. Tem sede na Póvoa de Varzim e o Presidente é Teófilo Relvas. Numa zona difícil do país, tem tido um trabalho árduo para manter a prática do nudismo numa praia da região onde é habitual, a Estela. Existem grupos que não gostam de naturistas e se socorrem dos mais variados meios para tentar impedir o uso de uma faixa de areia que é já frequentada por muitas dezenas de nudistas, num ambiente habitualmente calmo.

Uma campanha que inclui incitamento público à violência foi desencadeada por pessoas que apresentam acusações (sem prova) de alegados comportamentos ilícitos, sem que as autoridades tenham disso sido notificadas ou qualquer queixa apresentada. É a única região do país onde tal sucedeu até hoje, em mais de meio século de prática habitual de nudismo em praias portuguesas.

A mais antiga das instituições nacionais ligadas ao Naturismo é a Sociedade Portuguesa de Naturalogia, fundada em 1912 e com Estatuto de Utilidade Pública, dirigida por Miguel Boieiro, um homem muito participativo e com grande experiência, que foi Presidente da Câmara Municipal de Alcochete durante 19 anos consecutivos e está neste momento à frente da Assembleia Municipal. Defende como princípios "o desenvolvimento físico, mental e espiritual, através do Naturismo, o ideal aproveitamento dos bens da Natureza, da observância das Leis do equilíbrio ecológico e da sã profilaxia e cura da doença pelos princípios da Naturopatia e outras medicinas alternativas, incluindo uma alimentação sem sacrifício da vida animal."

NUDISMO vs EXIBICIONISMO

Ouvi há pouco tempo um autarca do Norte usar a expressão "Quando os nudistas se despem, para se exibir..." - o conceito existe em certas mentalidades, eu sei, mas é aberrante. Só pode compreender-se vindo de alguém que de nudistas apenas tenha a experiência de os ter ido espreitar, quiçá na procura de "ver corpos bonitos"...

Para quem, como eu, testemunhou vezes incontáveis o acto de tirar a roupa por parte de anciãs com mais de oitenta anos, ocasionalmente anquilosadas sob o peso da idade, dificilmente poderia aceitar que isso fosse descrito como "exibir-se"...

O nudismo não é para "pessoas bonitas", é para "pessoas"!

ESTAR NU É ILEGAL ?...

Não. De todo! NÃO É!

De um modo geral existe grande desconhecimento quanto ao que Lei prevê em relação à nudez. No entanto, é extremamente simples:

1 – Não existe nenhum diploma legal em vigor em Portugal que proíba a nudez.

2 – A palavra “nudez” não consta do Código Penal.

3 – Quanto a “Exibicionismo”, é tipificado apenas num Artigo do Código Penal, o 170º: “Quem importunar outra pessoa praticando perante ela actos de carácter exibicionista ou constrangendo-a a contacto de natureza sexual é punido ...”

Ou seja:

a nudez não pode, em termos jurídicos, ser confundida com exibicionismo;

o exibicionismo só é punível se for de natureza sexual e provocatória;

À semelhança de outros países, como Espanha, Holanda, Alemanha, Dinamarca, etc., também em Portugal a nudez por si só não integra um crime sem a existência de outras atitudes provocatórias, previstas na Lei e sem qualquer relação com vestuário.

Finalmente, há que ter presente o “Princípio da Tipicidade”, que determina que nenhum acto pode ser punido se não estiver definido como ilícito em legislação anterior ao seu cometimento.

Ou seja: Não pode ser considerado crime nenhum acto que a Lei não defina como tal.

A LEI PORTUGUESA NÃO DEFINE A NUDEZ COMO CRIME, NEM SEQUER COMO DELITO, E NÃO PREVÊ QUALQUER SANÇÃO QUE SE LHE APLIQUE.

Como em todos os casos e no que as leis em todo o mundo são omissas, prevalece o bom-senso e o respeito pelos outros:

- se um nudista chegar a uma praia onde toda a gente está vestida, não deve tirar a roupa;

- se uma pessoa que se ofenda com nudez chegar a uma praia onde as pessoas estão despidas, deve respeitar ou retirar-se.

É evidente que, se bem que a Lei não me proíba de ir lanchar todo nu à Brasileira do Chiado, não o farei, porque sei que existem pessoas que se sentem incomodadas com isso, e devo-lhes respeito, como membro da comunidade.

Trata-se simplesmente de ser bem educado: é o mesmo que não cuspir para o chão dentro de uma igreja, ou qualquer outro acto semelhante que possa ofender terceiros. O que não é aceitável é que existam pessoas que queiram forçar as suas convicções à população em geral, em todos os espaços da sociedade, o que, além de anti-democrático, é ilegal e viola a Constituição.

Mas como vivemos num Estado de Direito, prevalece a Lei, o que nos traz de volta ao facto, simples e claro:

  A LEI PORTUGUESA NÃO DEFINE A NUDEZ COMO CRIME E NÃO PREVÊ QUALQUER SANÇÃO QUE SE LHE APLIQUE  

A HISTÓRIA

Este artigo devia ter começado por aqui, mas de facto não faz sentido, porque o naturismo não tem história.

Com forma de estar, é eterno e remonta aos primórdios da espécie... naturalmente, como prática é ancestral e como movimento organizado tem menos de um século de existência.

Só se justifica falar de naturismo e nudismo, porém, não pela sua essência de princípios, mas pelo desvio que a sociedade introduziu à nossa convivência natural connosco próprios.

São setecentos anos de obscurantismo derivado essencialmente de princípios pseudo-religiosos que introduziram na cultura humana o “pudor” do corpo.

Basta recordar que na idade média (e na literatura portuguesa) se chamavam “vergonhas” aos genitais... embora todos tenhamos nascido deles!

Mas nem a religião justifica o pudor: os antigos cristãos eram baptizados nus... e como soe dizer-se, “se Deus quisesse que andássemos nus, tinha-nos feito nascer sem roupa!”...

Na Grécia antiga os atletas competiam nus, os banhos romanos eram mistos e públicos... etc...

O mais curioso desta “evolução” social é que, ao contrário de milhares de normas, regras e leis, que obrigam à obtenção de licenças especiais para aquisição de bens ou práticas exteriores a nós, a sociedade tenta obrigar o naturismo a aceitar um conceito precisamente ao contrário: não é preciso nenhuma licença para usar roupa, mas parecem querer obrigar-nos a ter que pedir uma para “a não a usar”...

(será que algum dia chegaremos a uma sociedade em que seja preciso ter uma licença para NÃO possuir uma arma de fogo?...)



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